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O cardeal-patriarca de Lisboa apelou ontem dia 16 em Fátima à “justiça” na resposta à atual crise económica em Portugal, sublinhando que o “realismo das situações” deve ter sempre em conta “a equidade”.
“A verdade deve prevalecer sobre ideologias, o bem comum está acima de interesses individuais ou grupais”, disse D. José Policarpo, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), na abertura dos trabalhos da 179ª assembleia plenária deste organismo.
Para este responsável, os bispos católicos devem ter em conta “as interpelações pastorais acrescidas devido ao momento que o país atravessa”.
“Estamos todos interessados em darmo-nos as mãos para, em conjunto, podermos responder às novas situações sociais emergentes, com a resposta própria da Igreja que é a caridade fraterna, a solicitude pelos irmãos em necessidade”, assinalou.
D. José Policarpo defendeu a construção de uma “rede de solidariedade”, como “resposta própria” da Igreja, dirigindo-se ainda a políticos, associações de empresários e de trabalhadores, comunicação social e fazedores de opinião.
“A todos pedimos, na especificidade do contributo próprio de cada um, a coragem da verdade, a generosidade das soluções propostas, a prioridade dada ao bem comum, a busca da justiça e da paz social”, prosseguiu.
A assembleia plenária, órgão máximo da CEP, vai decorrer na Casa de Nossa Senhora das Dores, Santuário de Fátima, da Diocese de Leiria-Fátima, até quinta-feira.
“Queremos suscitar a esperança. Quando os nossos irmãos sofrem, o nosso ministério é chamado a ser mais genuinamente expressão do amor misericordioso e testemunha que o sofrimento foi caminho para a alegria pascal”, disse D. José Policarpo.
Durante os trabalhos, os bispos vão examinar os resultados do inquérito realizado em 2011 pela Universidade Católica Portuguesa sobre ‘Identidades religiosas em Portugal: representações, valores e práticas’.
A CEP vai ainda analisar duas notas pastorais: ‘Unidade da Europa, um projeto de civilização’ e ‘Celebrar e viver o Concílio Vaticano II’.
A este respeito, o cardeal-patriarca de Lisboa recordou as propostas lançadas por Bento XVI pela celebração dos 50 anos da abertura do Concílio, a nova evangelização e a proclamação do Ano da Fé, que se inicia em outubro.
“Só o vigor de uma fé confessada permitirá a ousadia de novas formas de evangelizar em que a missão dos cristãos leigos é importante, no seio da família e das diversas estruturas da sociedade”, observou.
Segundo D. José Policarpo, o Concílio Ecuménico Vaticano II (1962-1965) “traçou as coordenadas de uma fé vivida, em Igreja, radicada na atualidade da Palavra de Deus, centrada em Jesus Cristo, capaz de ser anúncio de esperança para a sociedade contemporânea”.
“Atrevo-me a propor que a concretização daqueles pontos comuns de renovação pastoral que vimos procurando, sejam, no próximo ano, vivências comuns do Ano da Fé, ao ritmo do Concílio e da Nova Evangelização”, disse o presidente da CEP, a entidade representativa da Igreja Católica em Portugal.
OC

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