Como ser presença nas etapas de crescimento da criança?

“Fostes vós que plasmastes as entranhas do meu corpo, vós me tecestes no seio da minha mãe. Sede bendito por me haverdes feito de modo tão maravilhoso”. Sl 138,13s

Ao sermos chamados a ser família biológica ou não, profissional de educação, legislador, médico ou em qualquer outra função, temos que nos habituar a olhar as crianças como “pérolas preciosas”, feitas de modo tão maravilhoso, confiadas a nós por Deus para perpetuar o Seu reino de paz numa civilização de amor. Nesta perspetiva, percebemos que ser presença, é uma missão que deve ser abraçada diariamente e nos diferentes papéis que assumimos, com alegria e gratidão a Deus que nos chama a ser Seus colaboradores.

Michel Quoist, afirmou “que não é para si que os homens educam os seus filhos, mas para os outros e para Deus”.

É na educação que se revelam as virtudes dos pais, quando nos tornamos canais de bênção nas palavras e ações. Dom Bosco dizia que “Educar é uma obra do coração”. Educar é promover o crescimento e o amadurecimento da pessoa humana em todas as suas dimensões: material, intelectual, moral e religiosa. Os primeiros educadores e principais responsáveis pela educação são os pais.

É na família que a criança deve aprender o que é a fé, a rezar, a amar e a respeitar a Deus e as pessoas, o que é a retidão, o caráter, a honestidade, a bondade, a pureza de coração, a ser gentil com os mais velhos, a ser humilde, simples, a não desprezar ninguém, a ser caridoso, a vida pura da castidade, o domínio de todas as paixões desordenadas e a rejeitar todos os vícios. É a família, com seu jeito doce e suave, que abençoa e retira da criança o que de mal tem crescido: a erva daninha da preguiça, da desobediência, da má-criação, dos gestos e palavras inconvenientes. É na família que se aprende a perdoar, a superar os momentos de raiva sem revidar, a dar uma resposta de bem ao mal que nos fazem, a não ter inveja dos outros que têm mais bens e dinheiro e é nas primeiras tarefas do lar que se aprende o caminho redentor do trabalho e a responsabilidade.

São muitos os desafios, mas somos um povo de esperança, fazemos parte de uma Igreja que é Mãe, única, que tem Deus bem presente no meio de nós, em Jesus Sacramentado, que nos acolhe e nos ensina o caminho para a realização da missão que nos foi confiada, orientando a colocarmos Deus em primeiro lugar em tudo: Mateus 6, 24-36 “…Buscai primeiro o Reino de Deus, e tudo mais vos será acrescentado” . Quando a família acredita que a maior herança que se pode deixar é o amor de Deus, leva os filhos ao Batismo e faz com eles um caminho perseverante na Igreja, onde são alimentados na fé e da sua casa fazem um santuário da vida. E, quando a criança vê na vida dos pais o esforço de viver de forma coerente o que Jesus disse, mesmo quando corrigidos e contrariados fazem a bela experiência que dizia Dom Bosco: «Quem se sente amado, amará».

Os momentos de oração em família, a intimidade com Jesus na Sua Palavra, a escuta de Deus, o colocar-se no silêncio da Igreja perto do Sacrário ou na Adoração, a Eucaristia, as expressões da piedade popular e a bênção diária, têm mais força evangelizadora do que todas as catequeses e todos os discursos.

Que São José ajude os pais a serem audazes, corajosos, protetores, vigilantes e determinados a serem preventivos, capazes de dizer não a tudo que possa afastar do caminho de Deus, sendo sinal de contradição com a alegria própria de quem sabe a quem quer seguir e servir e, se preciso for, mudar de direção para fugir do mal.

Que as mães, com a ajuda de Nossa Senhora, saibam ser criativas, firmes nas tribulações, verdadeiras, ajudando os filhos a conhecerem quem são os verdadeiros heróis, levando-os a terem os olhos postos no Céu, sem medos infundados, como fez com os pastorinhos de Fátima, três crianças de tão tenra idade, tendo como resultado um desejo de mudança para agradar a Nosso Senhor.

Que as famílias, sem receios, levem os filhos à graça da rica experiência da Efusão do Espírito Santo, também em tenra idade, fazendo-os apaixonados e fiéis a Cristo.

A força da família «reside essencialmente na sua capacidade de amar e ensinar a amar. Por muito ferida que possa estar uma família, ela pode sempre crescer a partir do amor de Cristo». E que cada família possa dizer como a Santa Madre Teresa de Calcutá: “Eu só tentei ser uma gota de água limpa, em que pudesse brilhar o amor de Deus.”

Um olhar sereno voltado para a realização final da pessoa humana tornará os pais ainda mais conscientes do precioso dom que lhes foi confiado, continuando com a sua guarda ao longo da vida terrena e tendo como destino final a alegria da vida eterna.

 

Maria Soraya Rahemane
Educadora de Infância e Missionária da Comunidade Canção Nova